Carne de bovino: produção mundial desce, comércio aumenta
Segundo o novo relatório da FAO (Perspetivas Alimentares), prevê-se que a produção mundial de carne de bovino diminua 0,6%, este ano, atingindo 78 milhões de toneladas. Menos abates de bovinos no Brasil e nos EUA estão na origem desta previsão.
Inversamente, o comércio mundial de carne de bovino deverá aumentar 1,4% para 13,2 milhões de toneladas, impulsionado pela procura dos EUA.
Carne e Produtos Cárneos
A produção mundial de carne está prevista para aumentar em 2025, embora em um ritmo mais lento do que nos últimos anos, com um crescimento de 0,6% em relação ao ano anterior, alcançando 380 milhões de toneladas (equivalente em peso de carcaça). Esse crescimento será impulsionado principalmente por uma expansão esperada na produção de carne de aves, enquanto a produção de carnes suína e ovina provavelmente registrará apenas aumentos marginais. Em contraste, a produção de carne bovina deverá apresentar queda, compensando parcialmente o crescimento total.
A produção de carne de aves projeta-se para expandir de forma constante e será sustentada pela procura contínua dos consumidores devido à sua relativa acessibilidade, especialmente em meio à limitação do poder de compra das famílias. Apesar dos surtos em andamento de gripe aviária de alta patogenicidade (HPAI) em várias regiões-chave de produção e das limitações persistentes na disponibilidade de rebanhos reprodutores, espera-se que as margens operacionais favoráveis sustentem o crescimento da produção. A produção global de carne suína está prevista para aumentar ligeiramente, refletindo expansões modestas no rebanho. Na China – o maior produtor mundial, responsável por quase metade da produção global – espera-se que as margens baixas dos produtores continuem a limitar o crescimento, resultando em níveis de produção amplamente estáveis. De forma semelhante, espera-se que a produção de carne ovina aumente marginalmente, à medida que as reduções nos rebanhos na Oceania sejam compensadas por ganhos em outras regiões. Em contraste, a produção global de carne bovina deve contrair-se em 2025. Espera-se que as taxas de abate sejam limitadas pela redução dos stocks de gado devido à diminuição dos rebanhos e à retenção contínua para reconstrução, especialmente no Brasil e nos Estados Unidos da América, após os elevados níveis de abate nos últimos anos.

O comércio global de carne está previsto para crescer 1,3% em 2025, atingindo 43 milhões de toneladas, uma desaceleração significativa em comparação com o crescimento estimado de 4,7% em 2024. O crescimento moderado esperado é apoiado pela expetativa de restrição nas ofertas e forte procura por importações. No entanto, o crescimento provavelmente será impactado por tensões geopolíticas, a implementação de medidas comerciais restritivas e a propagação contínua de doenças animais, que podem desestabilizar ainda mais os fluxos comerciais. A expansão projetada do comércio será principalmente impulsionada pelo aumento das remessas de carne de aves, apoiadas pela sua acessibilidade em relação a outras carnes. O comércio de carne bovina também está previsto para crescer, sustentado pela maior procura de importação, especialmente dos Estados Unidos, em meio a restrições de oferta interna. Enquanto isso, o comércio global de carne suína e ovina deve permanecer estável, refletindo condições de mercado amplamente equilibradas.
Os preços internacionais da carne, conforme monitorado pelo Índice de Preços da Carne da FAO (FMPI), continuaram a subir durante os primeiros cinco meses de 2025. Essa tendência de alta reflete a redução nas disponibilidades de exportação em vários países produtores importantes, juntamente com a procura global sustentada. A maior incerteza no mercado, impulsionada por surtos generalizados de doenças animais e tensões contínuas na política comercial, tem sustentado os aumentos de preços. Além disso, o stock antecipado por alguns países importadores – motivado por preocupações com possíveis interrupções comerciais – adicionou mais pressão para cima nos preços internacionais da carne.
