Europa unida: mais de 10 mil agricultores protestam hoje em Bruxelas contra alterações na PAC e acordo Mercosul
Milhares de agricultores deslocaram-se nesta quinta-feira, 18 de dezembro, para a capital belga, onde decorre a reunião do Conselho Europeu, que junta representantes dos 27 Estados-membros da União Europeia.
(artigo em atualização)
Os protestos dirigem-se contra o acordo de livre-comércio entre a UE e o Mercosul, a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) e a forma como a França tem gerido a epidemia de dermatose que afeta o setor pecuário.
Milhares de agricultores europeus, acompanhados por centenas de tratores, convergem para a capital belga, enquanto persistem numerosos bloqueios nas estradas francesas, em protesto contra a resposta das autoridades à crise sanitária.


Entre os temas que mais preocupam os agricultores estão o acordo de livre comércio com o Mercosul , acusado de colocar em risco muitos setores, bem como a reforma dos subsídios da PAC e a introdução de um imposto de carbono nas fronteiras.
Essa última medida levará a um aumento nos preços dos fertilizantes, uma perspetiva temida por muitos agricultores europeus.
A Federação Nacional dos Agricultores Franceses (FNSEA), em conjunto com as suas congéneres de outros países europeus, planeou uma grande manifestação em Bruxelas, com a expetativa de reunir mais de 10 mil agricultores, incluindo um contingente significativo proveniente de França.
Segundo a principal associação de agricultores franceses, o objetivo da mobilização é exigir decisões claras por parte dos chefes de Estado e da Comissão Europeia sobre o futuro da agricultura europeia.
O presidente francês, Emmanuel Macron, referiu que o acordo União Europeia–Mercosul “não pode ser assinado” no modelo atual.
“Quero dizer aos nossos agricultores, que desde o início deixaram clara a posição da França: em relação ao Mercosul, acreditamos que o acordo é insuficiente e não pode ser assinado”, afirmou o presidente francês.
Mais de 10 mil agricultores provenientes de todos os Estados-Membros, manifestaram-se contra a proposta de redução do orçamento destinado à Agricultura no período de 2028-2034 e de alteração da arquitetura da Política Agrícola Comum. Está em causa o desvirtuamento da PAC, até hoje um pilar fundamental da soberania e da estabilidade da UE. Portugal ficará ainda mais em desvantagem perante outros Estados-Membros.
A Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP) participou, esta quinta-feira, dia 18 de dezembro, na ação de protesto que reunirá milhares de agricultores europeus contra a proposta apresentada pela Comissão Europeia para a nova Política Agrícola Comum (PAC), naquela que foi a maior manifestação de sempre do setor em Bruxelas. A comitiva da CAP integrou mais de duas dezenas de participantes e foi liderada pelo presidente Álvaro Mendonça e Moura e pelo secretário-geral Luís Mira.
Os Agricultores portugueses e europeus estarão a protestar contra a proposta da Comissão Europeia de redução do orçamento destinado à Agricultura no próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia (UE), bem como a integração da PAC num envelope financeiro nacional mais amplo, juntamente com fundos regionais e de coesão, transferindo para os governos nacionais a responsabilidade de decidir sobre a gestão e repartição das verbas, cada vez mais reduzidas.
Está a decorrer a maior manifestação de agricultores da Europa, com cerca de 12 mil participantes. O protesto visa destacar a importância da agricultura e defender a PAC como pilar fundamental da União Europeia, garantindo segurança alimentar, estabilidade, sustentabilidade ambiental, competitividade, modernização e o desenvolvimento económico e social das zonas rurais.
Álvaro Mendonça e Moura, presidente da CAP afirmou: “Estas políticas representam um retrocesso para a PAC, a única política verdadeiramente comum na Europa. Não se compreende que, quando o Orçamento da União Europeia aumenta 40%, se proponha uma redução de 20% para a agricultura, dando prioridade a outras áreas, como o investimento em defesa”. Para o Presidente da CAP, “com estas políticas europeias, nomeadamente com a fusão do desenvolvimento rural com a coesão territorial, Portugal será muito mais prejudicado do que outros países. Ou seja, com as transferências do segundo pilar para o primeiro, o das ajudas diretas, financiados a 100% por fundos europeus, Portugal ficará abaixo de países como Espanha, França, Alemanha e Itália. Naturalmente, esta medida acentuará as desigualdades e coloca em causa a competitividade entre países.”
A presença da CAP na manifestação representa o seu compromisso em defender os interesses dos agricultores portugueses e europeus, exigindo uma PAC justa e capaz de responder aos desafios do setor agroalimentar.
(artigo em atualização)
