Dezembro 7, 2021

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Urtiqas | A solução natural para o controlo dos ácaros na vinha

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Os ácaros são aracnídeos que, no estado adulto, possuem quatro pares de patas, não possuindo asas nem antenas. Situam-se preferencialmente na página inferior das folhas, onde, muitas vezes formam teias. Os ácaros fitófagos possuem uma armadura bucal formada por quelíceras modificadas em formato de estilete e utilizam este aparelho para perfurar as plantas.

Desta forma, a sua alimentação origina descolorações pontilhadas resultantes das picadas e como consequência, a zona atacada reduz a sua eficiência fotossintética e a transpiração da planta provocando o amarelecimento e a consequente seca das folhas, refletindo-se no vigor da vinha e posteriormente na qualidade da sua produção.

Na cultura da vinha existem alguns ácaros fitófagos que podem ser problemáticos. Entre os mais importantes, com base nos estragos causados, encontram-se o aranhiço amarelo e o aranhiço vermelho.

Tetranychus urticae Koch – aranhiço amarelo1

Esta espécie de ácaro é cosmopolita e extremamente polífaga, e afeta praticamente todas as culturas protegidas, de ar livre, ornamentais, plantas espontâneas, herbáceas e lenhosas. É um ácaro da família Tetranychidae que se encontra amplamente distribuído, especialmente em zonas quentes de clima suave, com verão seco, ganhando o estatuto de praga na cultura da vinha, principalmente no centro e sul de Portugal continental, podendo constituir um grave problema.

A particularidade de tecer teias na face inferior das folhas, protegendo a colónia das condições adversas (ventos fortes, potenciais predadores, chuvas e das caldas acaricidas) e permitindo a retenção de humidade, torna o seu controlo mais difícil.

O ciclo de vida destes compreende cinco estados de desenvolvimento: ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e adulto.

Os adultos têm um tamanho de 0,5-0,6 mm de comprimento, e possuem uma coloração que varia em função da planta de que se alimentam, clima e idade, podendo adotar colorações verdes, amarelas ou vermelhas.

O aranhiço amarelo hiberna essencialmente na vegetação espontânea, na forma de fêmea adulta, onde deposita os ovos, no início da Primavera. Caso exista alguma destruição ou rareio da flora espontânea pode ocorrer uma migração em massa das larvas para a vinha. No caso de um ataque atroz a videira sofre um acentuado decréscimo da atividade fotossintética e um aumento da transpiração, pelo que existe uma debilidade generalizada. O aranhiço amarelo pode atacar tanto folhas, como pâmpanos, gavinhas e cachos.

No início da infestação os sintomas mais comuns são o aparecimento de ponteados decolorados e manchas amarelas nas folhas que posteriormente ficam esbranquiçadas, secam e caem. Aparecem folhas com cloroses e pontos amarelados ou castanhos. As folhas afetadas têm uma área amarelada na página superior que corresponde à existência de colónias na página inferior.

Os estragos podem ser importantes, principalmente com tempo seco e quente, quando as gerações de aranhiço se sucedem com rapidez. Debilitam as plantas ao danificar as folhas e se o ataque for forte e prolongado pode provocar a queda das mesmas (desfoliação).

Panonychus ulmi Koch – aranhiço vermelho2

O aranhiço vermelho também pertence à família Tetranychidae, e é originário da Europa, e frequente em Portugal. É também um ácaro polífago, mas tem preferência por pomóideas, prunóideas e vinha.

Na existência de um equilíbrio biológico, o aranhiço vermelho é controlado naturalmente pela fauna auxiliar e não constitui perigo para as culturas. No entanto, quando o equilíbrio é danificado, pela aplicação de certos inseticidas e/ou fungicidas nocivos para estes organismos, as populações do aranhiço podem crescer desmesuradamente e tornarem-se uma praga. Desta forma, o aranhiço vermelho pode desenvolver ataques graves nas vinhas onde se verifiquem desequilíbrios biológicos, embora seja considerada uma praga secundária ou ocasional.

O ciclo de vida desta praga também compreende cinco estados: ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e adulto.

Os adultos mostram dimorfismo sexual, sendo possível identificar os dois sexos. As fêmeas são de cor vermelhoescura e, os machos são de cor amarelo rosado a vermelho-claro.

É na Primavera que se dá a eclosão dos ovos de Inverno que se localizam à volta dos gomos e ao nível dos primeiros nós das varas, saindo destes as primeiras larvas, que vão diretamente para os pâmpanos. As fêmeas adultas fazem as posturas de Primavera-Verão na página inferior das folhas, permanecendo nesse local e sendo produzido um número de gerações que varia de acordo com as condições climáticas (seis a 10 gerações por ano). O ciclo de vida varia entre 15 e 35 dias, de acordo com as condições ambientais. A partir de agosto as fêmeas encaminham-se para as partes lenhosas da videira, onde realizam as posturas de Inverno.

O aranhiço vermelho tem preferência por tempo quente (temperatura média entre 20-25ºC) e relativamente seco (humidade relativa de 60 a 70%). As temperaturas acima dos 35ºC ou abaixo dos 8ºC limitam o seu desenvolvimento, passando-se o mesmo com humidades relativas inferiores a 60%.

Os ataques deste ácaro podem ser mais devastadores ao abrolhamento, uma vez que existe pouco desenvolvimento vegetativo da videira. Os primeiros sintomas são o surgimento de pontos neuróticos, assim como de necroses na bordadura das folhas, cloroses e deformações das folhas jovens. No decorrer do ciclo vegetativo, pode aparecer o bronzeamento, quando a videira já apresenta um maior desenvolvimento vegetativo. Os estragos mais efetivos desta praga são a diminuição da acumulação de fotoassimilados e o consequente enfraquecimento da videira.

O estímulo da limitação natural deve ser prioridade na luta contra os ácaros, sendo que os grupos de auxiliares que são eficientes como limitação natural são os seguintes: ácaros fitoseídos (Phytoseiulus persimilisTyphlodromus pyri, Amblyseius californicus), aracnídeos (Pardosa spp.), antocorídeos (Anthocoris sp. e Orius sp.), crisopídeos (Chrysopa sp.), coccinelídeos (Stethorus punctillum), coniopterigídeos, hemerobídeos, mirídeos e sirfídeos (larvas).

Existem diversos meios culturais que devem ser tidos em conta para que existam condições adversas à instalação de ácaros. Desta forma, as adubações azotadas e as podas devem ser equilibradas, de forma a evitar o desenvolvimento de cepas com excesso de vigor vegetativo.

Em algumas regiões do país os ácaros fitófagos são bastante problemáticos e afetam significativamente a cultura da vinha. Nessas situações, torna-se fundamental a aplicações de produtos que tenham efeito nesta praga.

Urtiqas3

O Urtiqas é um produto elaborado à base de urtiga (Urtica dioica L.), planta arbustiva perene, cosmopolita da familia Urticaceae. Este produto encontra-se aprovado como Substância de Base de acordo com o Reg. 1107/2009.

Desta forma, este produto pode ser aplicado em Modo de Produção Biológico, bem como em toda a agricultura convencional.

Os autores Tomczyk e Szymanska (1995) e Kawka y Tomczyk (2002) demostraram a forte redução da fecundidade, longevidade e intensidade de alimentação do ácaro amarelo (Tetranychus urticae, Koch) após a aplicação deste tipo de extrato.

O Urtiqas é um produto obtido após a fermentação, maceração e filtragem de folhas frescas de urtiga. A seleção cuidadosa das cepas, de origem confidencial, assim como seu desenvolvimento em laboratório, faz com que Urtiqas esteja especialmente desenvolvido para combater ácaros fitófagos.

Este produto tem efeito em todos os estados de desenvolvimento desta praga, ou seja, é eficaz em ovos, estados imaturos e adultos, o que permite uma abordagem mais abangente no controlo deste tipo de aracnídeo.

Para além disto, o Urtiqas respeita a fauna auxiliar, sem que isso altere a sua eficácia no controlo de ácaros fitofagos.

A aplicação deste produto permite a apresentação de uma solução sustentável para um plano de proteção das culturas sem recurso exclusivo à aplicação de produtos que possam comprometer a fauna auxiliar e promover o desequilíbrio biológico, sendo possível promover uma estratégia com vista à biodiversidade e à sustentabilidade.

Artigo em completo na → edição de maio 2021 da Revista Voz do Campo.
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