Setembro 30, 2022

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Crise climática: incêndios da Península Ibérica podem ser uma lição para a Europa

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O verão está a trazer uma vaga de incêndios florestais a muitas partes da Europa, e os países mais afetados encontram-se no Sul.

Mas, como consequência da crise climática e das mudanças socioeconómicas, o risco de incêndios extremos avança todos os anos para o Centro e Norte do continente. Os especialistas do projeto FirEUrisk estão a promover a partilha de conhecimentos entre países europeus para melhorar a sua capacidade de prevenir e reagir a esta ameaça.

O objetivo do Projeto, que recebeu recentemente 10 milhões de euros da União Europeia, é partilhar conhecimentos e acelerar o desenvolvimento de uma estratégia científica para a prevenção e gestão dos incêndios florestais, para que todos os cidadãos tenham o mesmo grau de proteção contra esta ameaça. 

“Temos de nos preparar para um aumento do risco de incêndios em regiões onde eles ainda não existiam, e onde estão a tornar-se cada vez mais graves”, explica Domingos Xavier Viegas, docente da Universidade de Coimbra e coordenador do projeto FirEUrisk.

Em Portugal, a área ardida no final de julho totaliza 70 000 hectares, mais do que em qualquer ano desde 2017. Em Espanha, foram registados até agora 352 incêndios e arderam 229 645 hectares, os piores números dos últimos 25 anos. Com base na experiência destes países veteranos no combate aos incêndios, o “FirEUrisk está a desenvolver diretrizes, diretivas e recomendações que podem [também] ser adotadas nos países do centro e norte da Europa”, explica Domingos Xavier.

Os acontecimentos deste ano mostram que as mudanças previstas pelos modelos científicos, tais como a redução da precipitação e a ocorrência de ondas de calor repetidas e prolongadas, estão a tornar-se um ‘novo normal’. Isto indica que estamos a entrar em cenários climáticos projetados onde o risco de incêndio na Europa está a disparar.

O Investigador acrescenta ainda que “as previsões recentes indicam que o perigo de incêndio vai triplicar. Por outras palavras, será duas a três vezes mais provável termos de enfrentar dias com risco de incêndio muito elevado ou extremo. Temos de agir para preparar os nossos ecossistemas e a nossa sociedade, ou poderemos ter um futuro bastante complicado”.

Coordenação face às diferentes realidades europeias

Na Europa, “existem diferentes realidades em termos de capacidade de resposta, experiência operacional, equipamento, formação, e mesmo preparação da comunidade”, explica Domingos Xavier. 

Trabalhando com modelos para os próximos 30 a 50 anos, o objetivo do projeto FirEUrisk é acelerar o progresso europeu na gestão dos incêndios florestais e tomar as medidas necessárias para lidar com as mudanças nas condições meteorológicas propícias à ocorrência de incêndios. 

O Coordenador dá o exemplo do modelo português, implementado após os terríveis incêndios de 2017: baseia-se no desenvolvimento de políticas transversais desenvolvidas através do diálogo e de ações partilhadas entre diferentes sectores da sociedade. “A Europa deve promover a partilha de recursos e comprometer-se a um maior desenvolvimento científico e tecnológico. Precisamos de indicações e orientações que sejam racionais e que as pessoas cumpram, porque entendem que são importantes”, diz.

Este é um projeto que reúne diversas equipas e a Universidade de Aveiro (UA) faz parte desde grande consórcio. Da UA, a responsável é Ana Isabel Miranda, docente no Departamento de Ambiente e Ordenamento e investigadora no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM).

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