Janeiro 30, 2023

Agricultura Internacional

Imprensa especializada do Setor Agrário

Novas variedades de milho-painço nas regiões alpinas de Itália e Áustria

RE-CEREAL. O Projeto que prevê a criação de novas variedades de milho-painço nas regiões alpinas de Itália e Áustria

RE-CEREAL é um projeto de cooperação transfronteiriça entre Itália e Áustria com investimento financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional da UE. Além de visar o aumento da biodiversidade, sendo também um projeto científico.

O milho-painço (ou millet) é uma cultura bem adaptada aos verões quentes e secos, cada vez mais frequentes na Europa, e faz também parte do património cultural italiano. Aliás, constituía mesmo uma parte substancial da dieta daquele país antes da introdução do milho e era base de vários pratos tradicionais como por exemplo a polenta ou o migliaccio, um bolo com muitas interpretações regionais diferentes.

A Dr. Schär é uma empresa italiana que concebe, produz e comercializa alimentos sem glúten suportando-se no seu Centro de Investigação e Desenvolvimento, situado no parque tecnológico de Trieste. Sempre se interessou por este chamado pseudo-cereal, uma vez que se trata de um grão sem glúten com características nutricionais interessantes (é rico em zinco, ferro, magnésio, vitamina B1 e B6, ácidos gordos essenciais) e perfil aromático apelativo, o que torna os produtos que o contêm bem recebidos pelos consumidores.

Quem avança estas informações à nossa reportagem é Silvano Ciani, Corporate R&I Manager – Basic Research da Dr. Schär, referindo ainda que, apesar destes dados, verifica-se que a União Europeia é um importador líquido de milho-painço, proveniente principalmente da Ásia. Por outro lado, as variedades disponíveis no mercado de sementes não estavam bem adaptadas à área de cultivo em Itália, registando-se que “a produção de milho-painço tem estado estagnada desde os anos 30, quando era semelhante à do milho (cerca de 2,5 toneladas/ha)”.

Nos últimos anos voltou a notar-se um interesse crescente pela cultura, impulsionado pelo facto de possuir um desempenho muito bom em ambientes quentes e secos e estar bem adaptada a uma agricultura com poucas necessidades a nível de fatores de produção. “Como a escassez de água se torna a norma, as ondas de calor são cada vez mais frequentes na Europa e os preços dos fertilizantes estão altíssimos, o milho-painço pode ser a resposta aos produtores que querem uma cultura resiliente”.

Mais informação na edição de dezembro de 2022 da Revista Voz do Campo.

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