Outubro 18, 2021

Agricultura Internacional

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Estimativas FAO-OCDE para o mercado mundial de carne em 2030

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*Produção: De acordo com os prognósticos, a produção mundial de carne deverá aumentar para 346 milhões de toneladas (cerca de 2,2% em 2021), refletindo uma subida esperada na produção de carne na China, com um crescimento assinalável no Brasil, Vietname, Estados Unidos da América e União Europeia, parcialmente compensado por eventuais contrações na Austrália, Filipinas e Argentina.

O aumento previsto da produção de carne na China reflete potenciais expansões da produção em todos os tipos de carne, especialmente carne de porco, impulsionada por grandes investimentos na melhoria da cadeia de valor da carne e da biossegurança. Espera-se também que o Vietname recupere rapidamente a produção fragilizada pela peste suína africana.

Embora o grande défice de carne de porco na China tenha sido reduzido devido ao aumento da produção, este continua a persistir, levando a aumentos em todos os sistemas de produção animal, incluindo regiões exportadoras como o Brasil e a União Europeia. O aumento da produção na Europa e na América do Norte é também sustentado pela lenta reativação das vendas de serviços alimentares, juntamente com o sucesso das vacinações COVID-19, com melhores condições sanitárias e assistência governamental prestada ao setor pecuário no âmbito dos esforços de estabilização do mercado.

Pelo contrário, é provável que a produção de carne diminua na Austrália e na Argentina, bem como em algumas regiões em África, Ásia e América Latina e Caraíbas, onde as cadeias de valor da carne mantiveram-se sob pressão devido às restrições contínuas do mercado com a COVID-19, juntamente com o aumento dos custos da alimentação animal, o fornecimento limitado de animais e as secas.

* Consumo: Os fatores determinantes do consumo de carne são complexos: demografia, urbanização, rendimento, preços, tradição, crenças religiosas, questões culturais e ambientais, éticas, bem-estar dos animais e preocupações de saúde são fatores-chave que afetam não só a quantidade, mas também o tipo de consumo de carne.

Nas últimas décadas registaram-se mudanças consideráveis no impacto de cada um destes fatores num vasto leque de países e regiões. O crescimento populacional é claramente o principal motor do aumento do consumo, estando previsto um aumento global de 11%, que irá refletir um aumento do consumo global de carne na ordem dos 14% até 2030.

O crescimento económico é outro importante impulsionador do consumo de carne, já que o aumento do rendimento permite a compra de carne, que é geralmente uma fonte mais cara de proteínas. Prevê-se que o consumo global de carne de porco aumente para 127 Mt nos próximos dez anos e represente 33% do aumento total do consumo de carne. Numa base per capita, prevê-se que o consumo de carne de suíno aumente ligeiramente, embora este consumo tenda a diminuir na maioria dos países desenvolvidos. Na União Europeia, por exemplo, a tendência é de uma diminuição do consumo, refletindo alterações de comportamento influenciadas por dietas que favoreçam as aves de capoeira em vez da carne de porco; não só por serem mais económicas, mas também por serem encaradas como uma opção alimentar mais saudável.

Por outro lado, nos países em desenvolvimento, o consumo per capita de carne de porco, que é metade do registado nos países desenvolvidos, deverá aumentar marginalmente durante o período de projeção. As taxas de crescimento são mantidas na maior parte da América Latina, onde o consumo de carne de porco per capita cresceu rapidamente, apoiado por preços relativamente favoráveis que posicionaram a carne de porco como uma das carnes preferidas, juntamente com as aves de capoeira, para satisfazer a procura crescente da classe média. Espera-se que vários países asiáticos, que tradicionalmente consomem carne de porco, aumentem o consumo per capita uma vez que o impacto da peste suína africana diminua.

* Comércio: O comércio global de produtos à base de carne em 2021 deverá atingir os 42 milhões de toneladas (peso equivalente à carcaça), quase inalterado desde 2020, uma vez que os aumentos esperados no comércio de carne de bovino e de aves de capoeira deverão ser quase totalmente compensados pelo provável declínio do comércio de carne de porco e ovinos.

De acordo com as previsões da FAO-OCDE, o comércio global de carne em geral deverá ser impulsionado pela China, com as suas compras totais de carne a ultrapassarem os 11 milhões de toneladas, provocadas pelo grande défice de abastecimento de carne e pela procura para repor o stock estratégico, apesar do aumento da produção nacional.

* Preços: Os preços internacionais da carne subiram entre janeiro e maio, refletindo uma forte procura de importações, especialmente vindas do Leste Asiático e do Médio Oriente, numa altura em que há um aumento limitado da oferta global no mercado de exportações, apesar da recuperação da produção nas principais regiões produtoras.

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