Outubro 24, 2021

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Milho Bt | Como contornar os efeitos da resistência?

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Investigadores especialistas em genética agrícola recomendam estratégia para aumentar a produção do milho Bt e contornar os efeitos da resistência da lagarta-do-cartucho, uma praga preocupante para os agricultores da África Subsaariana.

O milho é a cultura básica mais importante e a maior fonte de calorias per capita na África Subsaariana. Mas a sua produção está a ser fortemente afetada pela lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), que depois de devastar plantações de milho na América do Sul, tornou-se também uma praga preocupante para os agricultores africanos.

Também conhecida como lagarta militar, já invadiu todos os países da África subsaariana, exceto o Lesoto. Ataca o milho em todas as fases do seu desenvolvimento, comendo folhas, borlas e espigas. Refira-se o exemplo dos Camarões, que, segundo um estudo de 2017, teve uma infestação de lagarta-do-cartucho em 53% do milho, 11% do sorgo, 3% da batata e 2% do algodão e da batata-doce.

Nos Estados Unidos e na América do Sul e Central, o milho Bt – geneticamente modificado para conter proteínas tóxicas específicas criadas pela bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) – tem travado a ação destruidora da lagarta-do-cartucho. No entanto, as populações de lagarta-do-cartucho desenvolveram resistência significativa a certas proteínas expressas pelo milho Bt, impondo a necessidade de implementar estratégias agrícolas para aumentar a produtividade do milho Bt e ao mesmo tempo para contornar os efeitos da resistência.

Até agora, no continente africano, apenas a África do Sul aprovou o uso de milho Bt, mas mais países poderão seguir-lhe o exemplo. Foi com esta perspetiva que uma equipa de renomados investigadores em genética agrícola e Bt conduziu uma extensa revisão de um estudo e numerosas entrevistas a outros cientistas sobre a lagarta-do-cartucho e o uso de milho Bt em África. Este mês, no  Journal of Economic Entomology, a equipa de investigadores liderada por Bruce Tabashnik, da Universidade do Arizona, fez as seguintes recomendações sobre o cultivo de milho Bt:

. Usar o milho Bt com outros métodos de gestão de pragas, incluindo resistência de planta hospedeira nativa (não geneticamente modificada), como parte de um plano de gestão integrado de pragas;

. Usar “pirâmides” de milho Bt que produzem duas ou mais toxinas (idealmente, quatro toxinas) que são individualmente eficazes contra a lagarta-do-cartucho, mas juntas reduzem significativamente a probabilidade de a praga desenvolver resistência;

. Evitar culturas Bt de toxina única que permitem a resistência e reduzem a eficácia de cepas multi toxinas;

. Fornecer pirâmides Bt que os pequenos produtores possam pagar, em variedades de polinização aberta, bem como em plantas e sementes híbridas mais caras;

. Incluir refúgios de milho não Bt para mais de 50% dos hectares de milho para plantas Bt de toxina única e 20% de hectares de milho para plantas Bt multi toxinas;

. Trabalhar em estreita colaboração com os pequenos agricultores em cada etapa, desde o desenvolvimento até à colheita do milho Bt.

Leia o artigo original aqui. Informação disponibilizada pelo CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.

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