Julho 2, 2022

Agricultura Internacional

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A importância da escolha do compasso correto em sequeiro

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Foto: Centro de Investigação ‘El Calderito Alto’. Variedade ‘Arbosana’ plantada com compasso largo

A sua influência na maturação, produtividade e qualidade do azeite.

A experiência e a investigação que a Todolivo tem vindo a desenvolver ao longo dos anos concluiu que os compassos de plantação devem ser mais largos, pois têm numerosas vantagens agronómicas e económicas sobre a plantação densa.

A importância da escolha correta do compasso, especialmente na agricultura de sequeiro, e as suas repercussões, independentemente da variedade, na maturação do fruto, na produtividade da plantação e na qualidade do azeite obtido, podem ser claramente observadas no campo no período do ano em que nos encontramos (outono).

Assim, no passado dia 14 de outubro, decidimos comprovar o estado em que se encontrava a colheita das variedades ‘Arbosana’ e ‘Arbequina’ plantadas em sequeiro, tanto em olivais em sebe de compasso largo como em olivais superintensivos de compasso estreito.

No olival em sebe de compasso largo foi possível verificar um bom aspeto e uma boa colheita em ambas as variedades. As árvores encontravam-se frescas, as folhas tinham uma cor intensa, estavam abertas e a realizar uma correta troca gasosa. As azeitonas estavam em perfeito estado, grandes, bem hidratadas e sem sinais de stress, uma indicação clara de que estavam a amadurecer bem sem a necessidade urgente da chegada da água do outono.

Outro aspeto que pôde ser apreciado nas plantações de compasso largo foi a luz solar recebida tanto pelo solo como por toda a superfície foliar das árvores. Por um lado tal permite que o solo atinja a temperatura ideal para induzir e estimular as árvores ao correto desenvolvimento fisiológico e, por outro lado, o aumento da radiação solar torna possível que os frutos amadureçam mais uniformemente em toda a árvore e se obtenham maiores rendimentos de gordura, alcançando assim uma alta produtividade na exploração, bem como a obtenção de AOVES ( Azeites Virgem Extra) de alta qualidade.

O facto de a plantação não apresentar stress hídrico teve um efeito positivo no desenvolvimento ótimo das brotações outonais, o que permitirá que as oliveiras tenham uma grande floração e fixação das azeitonas no próximo ano.

No entanto, nas duas variedades plantadas em sistema superintensivo, de estrutura estreita, podia ver-se a olho nu que sofriam de stress hídrico significativo e as folhas eram de cor acastanhada, muito secas e cinzentas. Face a esta situação de stress, a planta responde fechando os estomas por um longo período de tempo, a fim de reduzir a transpiração (e poupar água). Isto faz com que as árvores não realizem corretamente a troca de gases, o que altera o processo fotossintético com o qual produzem os produtos assimilados de que necessitam, levando a uma deterioração do seu desenvolvimento vegetativo, da produtividade e do rendimento de gordura finalmente obtido.

Quanto às azeitonas, eram pequenas em tamanho, excessivamente maduras e já descoloradas, uma clara indicação de que não estavam a amadurecer adequadamente. Quanto aos rebentos de outono, verificou-se serem muito curtos, algo que certamente comprometerá a sua colheita no próximo ano.

Ao compararmos as azeitonas dos dois compassos pudemos observar a grande diferença de tamanho entre elas, com as azeitonas da estrutura estreita a representarem aproximadamente um terço das azeitonas da estrutura ampla.

Procedemos então a um corte transversal das azeitonas para analisarmos o seu interior e avaliar a relação polpa/caroço. As azeitonas do compasso estreito, independentemente da sua variedade, tinham uma relação polpa/caroço muito mais baixa do que as do compasso largo, o que resultará não só numa menor produtividade por hectare, mas também numa redução significativa da qualidade do azeite obtido.

Por conseguinte, a escolha do compasso certo é uma decisão da maior importância, especialmente em sequeiro. Na Todolivo chegámos à conclusão de que os compassos para olivais em sebe de sequeiro devem ser largos, aconselhando uma densidade entre 300 e 700 plantas/hectare e uma superfície por árvore entre 15m2 e 35m2/planta, dependendo do tipo de solo, da sua capacidade de retenção de água e das condições climáticas da exploração.

Com esta evolução de compassos e variedades que temos promovido, estamos a permitir que os olivicultores possam produzir com regularidade nas suas explorações, não só uma maior quantidade de AOVE por hectare, mas também fazê-lo de uma forma muito mais sustentável, eficiente e rentável. Isto porque, por um lado reduzimos significativamente os custos de investimento e de gestão de culturas e, por outro, ajudamos a melhorar o nosso planeta, uma vez que este sistema tem um balanço muito positivo da pegada de carbono, utiliza menos recursos naturais e fatores de produção e promove uma maior biodiversidade animal.

Mais informações em Todolivo e na Revista da Voz do Campo.

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